Bons Sons 2015: de Lisboa a Cem Soldos por um dia

Sábado 15 de Agosto de 2015.
Rumámos até Cem Soldos, para viver a aldeia e o seu Bons Sons, um festival tão característico, tão acolhedor, tão especial no seu formato.

Nos palcos, esperavam-nos D'Alva, Bruno Pernadas e Ana Moura, mas era sobretudo pelos Trêsporcento que ali estávamos.
Eles que regressaram aos palcos, um ano e meio depois.
Eles que, um ano e meio depois, rebentaram a escala.
Mas já lá vamos.


Bons Sons
Créditos: Concertina


Chegámos ao fim da tarde, mas ainda antes dos concertos, o que nos permitiu explorar a aldeia que abriu as suas portas a tanta e tanta gente. E que mesmo assim, parecia ter espaço para todos. Percorremos as ruas, cruzámo-nos com os residentes, descobrimos os diversos palcos, passeámos pelo «mercado». E sentimos a boa onda de Cem Soldos.

Pelas 19h, e depois de termos apanhado um pouco do sound-check dos Trêsporcento, seguimos para o palco Giacometti, ou o coreto, para o aquecimento com os D'Alva - em formato redux. E que aquecimento. Os temas de #batequebate chegaram-nos remisturados, longe do som a que estamos habituados. Naquele espaço, que já não se resumia à praça do coreto, a festa fez-se em grande, barulhenta e animada. E com o público a responder com entusiasmo. E nós não fomos excepção. Batemos o pé e abanámos o corpo sobretudo ao som de "3 Tempos", "L.L.S" e "Homologação".




D'Alva
Créditos: Concertina

Com o aproximar das 20h30, deslocámo-nos para o palco Eira.
Pontuais, foi com "Lotação 136" que os Trêsporcento deram início a uma hora extraordinária.
Sem qualquer desgoverno, mesmo quando a chuva caiu. Um momento mágico que se tornou perfeito para "Cascatas".
O alinhamento não surpreendeu os mais atentos, é certo - não faltaram "o dia em que esses olhos brilharam", "elefantes azuis", "quero que sejas minha", "veludo" e claro "homem novo". A fechar, "espero", uma das mais antigas e ainda hoje arrepiante... - mas pouco importa.
Os Trêsporcento deram tudo em palco, no que foi provavelmente o seu melhor concerto até hoje.
E facilmente concordamos com uma das pessoas da «família Azáfama» quando nos disse que tinha sido um concerto de consagração.
Sim, é talvez isso mesmo, a consagração - e porque não, celebração - dos Trêsporcento como um dos grandes (novos) talentos do rock nacional.
Finalmente.

Trêsporcento
Créditos: Concertina

Quanto aos músicos, pouco tenho a acrescentar ao que tenho dito nos últimos anos. A cada concerto, nota-se a evolução individual e colectiva. E nem parece que passou tanto tempo desde o último reencontro.
Uma nota especial para três deles: o "pequeno" António Moura, cada vez maior na bateria; Pedro Pedro, tão versátil na guitarra, no baixo e nos timbalões - só faltou mesmo dar um ar da sua graça na bateria ;) -, imparável a liderar a animação em palco e a puxar pelo público; e claro, Tiago Esteves, a voz grave, rouca, às vezes tão ao jeito de Hamilton Leithauser (dos The Walkmen) a soar irrepreensível, e cada vez mais solto na guitarra.
E, porque são também eles elementos fundamentais, Salvador Carvalho no baixo e Lourenço Cordeiro na guitarra continuam incríveis.


Trêsporcento
Créditos: Concertina

Do rock dos Trêsporcento, seguimos para o fado de Ana Moura, no palco Lopes-Graça.
[pelo meio houve Bruno Pernadas e Nice Weather For Ducks, que não soaram mal ouvidos de longe.]

No largo do rossio, viveu-se um ambiente fantástico, graças a uma voz arrepiante e um leque de músicos incríveis.
Com a sua voz quente, Ana Moura levou-nos aos fados, seus e de outros, encantando quem assistia. "Búzios", "Caso Arrumado", "Porque Teimas Nesta Dor", "Casa da Mariquinhas" e "Desfado" foram alguns dos temas de um alinhamento em jeito de retrospecção de quase ano e meio de digressão. Um período especial como a própria referiu, que quis recordar com a sua versão de um tema dos The Rolling Stones, "No Expectations", mostrando-nos que o fado também pode ter um lado rock.


Ana Moura
Créditos: Concertina

Uma hora depois, os DJ's já se preparavam para assumir a festa. Mas Ana Moura ainda não tinha terminado. Voltou para o «encore» e encantou por mais uns longos minutos o público já rendido.

Por volta das duas da manhã, despedimo-nos de Cem Soldos ao som da eletrónica house que se fazia ouvir - e que honestamente depois de um concerto de fado, não assentou bem nos nossos ouvidos - com a certeza de que voltaremos em breve...

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