Wooden Maria de regresso com "A Pilgrimage to a Temple to Dream"
O destaque deste fim de tarde vai para o novo disco dos Wooden Maria, sobre quem já falei aqui. Chama-se "A Pilgrimage to a Temple to Dream" e soa bastante diferente do último trabalho - é um álbum conceptual, que soa como um convite a uma viagem interior.
Assumo que não é de escuta fácil...
Mas, muitas vezes, as peças mais extraordinárias e desconcertantes deixam-nos alerta, e pedem-nos tempo e atenção.
A banda, liderada por Oliver Muto (voz e guitarra), Clare Hewett (violino e voz), Haimer Atkins (bateria) e Rowan Arnold (baixo), cria uma atmosfera onde as harmonias vocais flutuam sobre instrumentais delicados e intimistas, como se cada nota fosse um segredo prestes a ser revelado.
E quando as composições atingem o seu clímax, abrem-se a momentos expansivos que acentuam a emoção e a intensidade, deixando-nos de coração cheio, à beira da comoção e prontos a repetir a experiência.
Tenho dificuldade em dar enfase a esta ou aquela canção. Sozinhas, dão-nos uma imagem que se transforma quando as ouvimos na sequência do disco. Ainda assim, "The Witness", o terceiro single, continua a rodar quando preciso de um momento a sós.
Num mundo onde a música muitas vezes segue fórmulas e vai perdendo a sua essência, os Wooden Maria trazem, com este novo disco, uma abordagem única e cheia de alma, como se cada tema fosse um passo em direção a um lugar de paz e compreensão. O som tem uma luz e uma energia próprias, como que evocando uma consciência tranquila de que tudo está ligado.
"A Pilgrimage to a Temple to Dream" é um lançamento assombroso e emocional, imersivo também, onde a emoção e a intensidade estão presentes em cada detalhe. E é para ouvir quando precisarmos de um refúgio sonoro que nos apazigue a alma.

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