Com "Fever", os Balthazar querem pôr o povo a dançar

Já se sabe que os balthazar ganharam espaço como uma das minhas bandas preferidas dos últimos tempos. Não tanto desde 2013, quando os vi como «support act» dos Editors, mas desde 2015 aquando do lançamento de "Thin Walls". Entretanto, Jinte e Maarten ocuparam-se com projectos próprios que também me encheram as medidas, e, em 2018, começaram a preparar o novo trabalho dos Balthazar.

"Fever", o tema-título, apresentou-nos o novo disco e desde logo mostrou-nos uma mudança de registo, como se os rapazes tivessem deixado de lado o som mais melancólico que sempre os caracterizou. Em vez disso, há funk e (muito) groove, uma linha de baixo marcada, elementos de cordas aguerridos e um toque algo tribal que vicia. - e, sim, é perfeita para uma road trip... :)



"Entertainment" foi o tema que se seguiu, e a prova que os Balthazar também sabem fazer músicas alegres. Uma espécie de affair entre o blues, o funk, e a pop, é dançável, catchy, divertida e descontraída. Tem um refrão que cola, que faz a coisa crescer, e confesso que, mais uma vez, são os violinos e o trompete que se destacam e brilham.


"Changes" mantém o ritmo upbeat, mas, para mim, é a voz de Maarten que faz a diferença, que lhe dá cor, tal como os elementos de percussão na parte final. Em "Wrong Faces", por seu lado, é a linha de baixo, subtil e intensa, que nos prende, tal como a secção de violinos acutilantes.


"Whatchu Doin'" pisca o olho ao R&B pela voz de Jinte, num jogo de sedução com o baixo, ambiente que se sente também em "Phone Number", na voz quente de Maarten. Mas não só. Os coros e os violinos - outra vez - agigantam a canção, e a entrada do ukelele é "só" um bónus.


O refrão de "I'm Never Gonna Let You Down Again", em falsetto, é outro dos que mais facilmente ficam na cabeça, ao passo que em "Grapefruit" é novamente o baixo, mais orgânico, a conduzir-nos. E de repente a canção surpreende, ouvem-se os violinos - pois claro - ásperos e mais agudos, a fazer lembrar os sons das Arábias.


"Wrong Vibration" é outros dos temas mais catchy de "Fever", muito por culpa da melodia e ritmo contagiantes, perfeitos para o sing-a-long. "Rollercoaster" entra em registo mais jazz e de novo com violinos das Arábias, que brilham num final instrumental maravilhoso.


"You're So Real", tema que encerra o disco, foi-se entranhando a cada escuta, sendo hoje um dos meus favoritos. É sedutor q.b., com uma guitarra acutilante, um solo de saxofone delicioso e violinos românticos que criam o ambiente de «fim de noite» perfeito.

"Fever", o disco, traz uns Balthazar a soarem mais frescos e bem dispostos, criadores de canções mais animadas e com arranjos intensos mas cheios de brilho e de groove. Os belgas abraçaram o lado divertido da vida, algo que, para mim, lhes assenta na perfeição.

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