Rapidinhas: "Man Of The Woods", Justin Timberlake

Justin Timberlake é um guilty pleasure assumido há muito tempo. E é sempre com expectativa que aguardo novidades, sobretudo quando lhe dá para trabalhar com Pharrell Williams e Timbaland.
Mas todo o buzz à volta do álbum refreou o entusiasmo. É que a cena «americana» nem sempre me soa bem. E depois de (tentar) ouvir "Man Of The Woods" umas quantas vezes, só me ocorre uma palavra: bipolaridade.

De um lado, um Justin rural. Canções inspiradas pela música popular do sul da América, raízes, ambiente rústico, a banda sonora do lenhador... Uma imagem que, sinceramente, não cola. E o que foi aquilo de escrever uma canção sobre camisas de flanela???



A excepção - e provavelmente aquilo que mais se aproxima do que todos esperávamos de MOTW - acontece com "Say Something" que conta com a participação da estrela de Nashville Chris Stapleton. É um tema bem produzido, as vozes combinam, a melodia é apelativa, misturando e equilibrando o R&B, o gospel e o country, e culminando em algo extremamente bem conseguido.

Do outro lado, o «velho» Justin, o do R&B e do funk, que lhe assenta que nem uma luva. Não são muitos exemplos, infelizmente, mas são uma explosão musical que nos dá alguma esperança. "Filthy" é sensual, ao jeito de Timbaland de "future sex love sound" e "Midnight Summer Jam" é super funky, tão característica e tão Pharrell.


Quanto ao resto do disco, bom, "Higher Higher" parece saída de um álbum dos Nsync, "Morning Light", o dueto com Alicia Keys é fraquinho, fraquinho... e, "Supplies", que até teria algum potencial, é arrasada por uma letra sofrível, algo que transparece em todo o disco.

"Man Of The Woods", com uma equipa de produção de topo, tinha tudo para ser um álbum memorável. Mas é uma desilusão.
E, por mais que goste da equipa Timberlake / Pharrell, parece-me que, desta vez, falharam redondamente o alvo.

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