Five, o tão esperado álbum novo dos White Lies


Hoje, por ser dia 5, fala-se em Five, o novo álbum dos White Lies, que aparece 10 anos depois de To Lose My Life, o primeiro da banda. Poderia começar por tecer muitas considerações sobre esta minha fascinação com o numero 5, mas, de facto, não há aqui espaço para isso, e, na verdade, havendo tantas coisas para dizer sobre Five, parece-me até desnecessário.

Five é um álbum que celebra os White Lies, eles que continuam na sua melhor forma. É um álbum onde as letras continuam a ser densas e pertinentes, com aquele travo clássico a melancolia, cheias de força e capazes de nos pôr a dançar e a cantar, como se quer, do synth-pop-indie-cenas-guitarras e coisas que tal. É um álbum que continua a ser marcado por guitarras e sintetizadores e pela voz maravilhosa de Harry McVeigh.



Five começa com “Time To Give”, que é a musica mais ambiciosa do álbum, e, talvez até a mais ambiciosa que a banda já fez. Uma espécie de “opereta” que podia ser demasiado comprida para mim, mas que não o é de todo, onde cada instrumento brilha por si só e onde não há um momento mais cansativo, dadas as variações dentro da própria melodia que a tornam tão rica.

É “só" uma das melhores músicas de Five, onde fica, mais uma vez, demonstrada a forma simples e descomplicada como os White Lies pensam e fazem música. É ambiciosa e mostra a total evolução da banda sem lhes tirar ponta da sua identidade. A entrada é grandiosa e a letra é uma delicia. E se Five começa logo assim, acreditem que vai continuando neste registo até ao fim. 


“Finish Line”, com a sua entrada acústica e característica, e com a voz de Harry McVeigh, a marcar e a demarcar melhor as pausas, acaba por ser um bocado a definição da forma melódica com que Five se compõe. Isto faz com que “Finish Line”, seja uma musica quase épica.

Em Five, a banda inglesa cresceu, sem deixar de ser quem é. Evoluiu sem se esquecer de onde veio e do que o seu público quer deles. Estão mais crescidos mas continuam com a mesma vontade de nos fazer bater o pé acima de tudo, continuam a pôr-nos a mesma questão, a do porquê de eles não virem cá mais vezes. Que é sempre uma daquelas questões que, por mais que nós nos esforcemos por tentar responder, ou entender, nunca nos vai fazer sentido.


“Fire and Wings” é uma canção que começa com guitarras e com a voz de Harry McVeigh, que é perfeita para o ambiente que aqui se cria e que podia ser o de um episódio de Peacky Blinders de tão bom. Quando explode, magicamente, a canção ganha ainda mais “super-poderes”, os das teclas e de uma bateria ainda mais acutilante do que estamos habituados com os White Lies, que acrescentam ainda mais camadas de intensidade e a tornam esta canção ainda mais especial do que se poderia pensar que viesse a ser. 


Uma das minhas musicas preferidas é “Believe It”, um indie-Synth-pop-rock muito marcado e mais denso. Talvez o seja por isso mesmo, pela maior densidade e pelo seu ser mais grave, sem perder as orquestrações que definem os White Lies desde o primeiro álbum.

Para mim, uma das melhores coisas dos White Lies continuam a ser as letras, que, para além de deliciosas são muito bem feitas e muito cuidadas, havendo sempre e em cada uma delas, mensagens fortes e marcantes.


“Tokyo” é a canção que nos aproxima mais dos White Lies do album anterior. “Tokyo” começa com o refrão, e com o que podemos considerar aqui como sendo palavras de ordem.

“Tokyo” com o seu ritmo cheio de influências dos anos 80, tem sempre, no fundo, a presença de uma orquestra e dos sintetizadores que ajudam à sua dimensão, e, juntamente com “Jo?”, lembra-nos das influências sempre presentes dos anos 80, com muito ritmo. Em “Jo?”, o que eu mais gosto é da letra, e não me canso sempre de achar que Harry McVeigh tem uma das melhores vozes de sempre. 




Five é um álbum de quem já não tem mais nada a provar a ninguém mas que continua a fazer tudo como se fosse a primeira vez: é um álbum coeso e muito simples numa primeira audição, e vai-nos surpreendendo e deixando ver cada vez mais pedacinhos de ouro à medida que o vamos re-ouvindo.

Os White Lies são, e continuam a ser, uma das minhas bandas de eleição, muito mais intensamente desde que os vimos em 2016 no CCB, num concerto para lá de espectacular numa noite muito fria, em Lisboa. Daí em diante a questão ali de cima mantém-se, “Será que não os poderiam voltar a trazer? Porquê?” Esperamos que esta questão seja respondida em breve e que eles voltem, e rápido, até porque este Five é um álbum que merece muito ser ouvido ao vivo.

“…I really tried to be good, But goodness, won't come easy to me, You’re too good in your own ways, In others, you're evil like me…” em Never Alone.

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