Sejam bem- vindos ao Parque! (ou a crónica possível do primeiro dia de NOS Primavera Sounds.)




NOS Primavera Sounds, ano 4, dia 1.

Ontem todos os caminhos foram, mais uma vez, dar ao Parque. 
E, mais uma vez esteve tudo óptimo. 
As cores, as comidas, a limpeza, a harmonia, a relva, o frio e o nevoeiro que vem do mar, ali mesmo à beirinha.

Para mim, que não sou uma Chavininha dada a chegar cedo, a não ser quando o cartaz assim se me impõe, a festa começou por volta das 7, portanto sobre Bruno Pernadas, Cinemara e Mikal Cronin não tenho nada a dizer.



Mac DeMarco
O primeiro objectivo era simples: ver se Mac DeMarco ia repetir a façanha de Barcelona (e de Paredes de Coura) e dar um show daqueles que fica para a historia do Primavera Sounds.
E, portanto, às 8 em ponto, lá estava eu, no Parque, muito atenta. Sim, obviamente que DeMarco deu um bom espectáculo, que a sua setlist foi muito semelhante à de Barcelona, e claro que tocou "Ode To Viceroy" e "Annie", e "Salad Days", e tudo o que mais dele se estava a espera. E, que estava muito mais clean que em Paredes de Coura (e que isso, foi uma pena...) e mesmo que em Barcelona. Correu tudo muito bem, os fans gostaram, o publico estava ao rubro, e na verdade, para quem nunca o tinha visto, valeu mesmo a pena. A mim, faltou me a garrafa de Jameson de Paredes de Coura. E o ar mais junkie, que eu acho sempre que lhe assenta melhor.
Isto tudo para dizer que sim, a meio eu desisti e fui antes ao Palco Pitchfork, onde estava Patti Smith.

Ela. A Pessoa responsável por eu querer tanto ir ao Primavera deste ano. 
Eu e todas as pessoas que se acumulavam à volta do pequeno palco Pitchfork onde Miss Smith dava um brilhante concerto acústico. 
Daqueles que enchem as medidas a toda e qualquer pessoa que por lá tenha passado. Eu incluída, apesar de ser acústico. 
Patti Smith, muito comunicadora, com uma voz impecável, que levantou das cadeiras (sim, havia cadeiras...) todas as pessoas que por la passaram. 
Patti Smith
Ela. Que faz com que todas as pessoas que leram "Just Kids" e que criaram qualquer ideia sobre a verdadeira Princesa do Punk não tenham ficado defraudadas. (O que me faz achar que, se por um qualquer acaso aquilo ontem em acústico foi assim, daqui a bocado no palco principal vá ser no mínimo épico. Expectativas em alta.)

Uma das coisas que eu mais gosto nestas andanças dos festivais é a possibilidade de, de repente, sair do mundo old school de Patti Smith e ir directamente para o hypede FKA Twigs. 
E sim, para quem, como eu é sempre céptica acerca de hypes, este é daqueles que vale mesmo muito a pena.
FKA, a maravilhosa FKA Twigs. Gira todos os dias, ontem sem penas e sem produções exageradas (dizem as revistas da especialidade que ela ontem até estava com uma roupinha de loja, igual à que toda a gente pode comprar, como se isso ali fosse importante...), mas capaz de nos dar um concerto de uma hora e qualquer coisa praticamente irrepreensível. Dramatico, sexy, teatral e muito perto do perfeito, com todas as musicas que se queriam ouvir, onde  "Two Weeks", "Papi Pacifier" e "Pendulum" foram para mim as mais perfeitas.  

Depois vem a parte controversa: se toda a gente estava a espera dos cabeças de cartaz que vinham depois de FKA Twigs, os Interpol, eu estava a espera de The Juan Maclean. E, se desta vez, eu ate achei que eles, os Interpol, se portaram melhor do que da ultima vez que eu os tinha visto, não deixei de os achar devidamente aborrecidos. No meu caso, só quer dizer que eles me aborreceram ligeiramente menos. E, portanto, sobre eles eu nem vou dizer mais nada.

Chegada estava a hora de dançar. Como se ninguém me estivesse a ver. The Juan Maclean. Devidamente acompanhado por Nancy Wang. E o que dizer senão o óbvio?
Dizer que a esta hora o Parque dançava, solto e de braços no ar. Como se Deus, ou quem quer que seja que manda nisto tudo, só quisesse que isto fosse acontecer. 
The Juan Maclean que passaram por "Happy House", por "A Simple Design" e por todas as coisas a que tínhamos direito, e que, claro, acabaram com "Give Me Every Little Thing". (The Juan Maclean que me puseram a dançar, mas que, conseguiram a proeza de por o B. a dançar também. E isso é tão raro que eu acho que a ultima vez que aconteceu foi há dois anos, na excitação que antecedeu os Explosions in The Sky.)
The Juan Maclean

Continuamos em modo "dançar é bom e eu gosto" com Caribou. Que fecharam a primeira noite no Parque. 
Irrepreensiveis, conseguiram uma coisa que em 4 anos eu nunca tinha visto: ter quase toda a gente de pé e a dançar depois da meia noite, no primeiro dia de festival, uma Quinta Feira. E ter uma quantidade de gente muito mais considerável  a assistir ao concerto do que conseguiu James Blake há dois anos e os Jagwar Ma no ano passado.
Os Caribou que foram muito simpáticos e faladores até, e que nos fizeram dançar tanto, que acabamos por nos esquecer do frio e da humidade que vinha do mar, ali mesmo à beirinha. 

E, mais uma vez, acabou se a noite. Com um sorriso nos lábios e com a sensação de dever cumprido. Com aquela sensação de que todos os festivais deviam ser assim: felizes, organizados, com pessoas civilizadas e simpáticas, sem publicidades desnecessárias e barulho entre concertos, que fazem com que só nos dispersemos daquilo que lá fomos mesmo fazer: ouvir musica e ser felizes.

De ontem foi "só" isto. Para hoje, eu espero mais: espero pela Patti Smith e o seu "Horses", por José Gonzales, pelos Sun Kill Moon, pelos escoceses Belle and Sebastian, por Anthony and The Johnsons e pelos Jungle. Mas sobre isso falamos amanha ;)

Sem comentários:

Imagens de temas por merrymoonmary. Com tecnologia do Blogger.