Super Bock Super Rock 2013: rescaldo de um festival

Herdade do Cabeço da Flauta, Julho de 2013.
Tudo pronto para o Super Bock Super Rock. Menos sol do que o esperado, algum vento e muito rock.

18 de Julho, dia 1.

Encontro marcado para antes das 20h, porque queríamos assistir à abertura das festividades. Diz o programa que o festival iniciava com duas actuações em simultâneo: Kalú no palco EDP, e os Trêsporcento no palco Antena 3. Não é preciso pensar muito para saberem qual foi a nossa escolha. É mais do que óbvio. Porque eu sou fã. Porque íamos vê-los pela primeira vez num festival "a sério", ou melhor a Chavininha ia vê-los pela primeira vez! E não desiludiram. Menos interactivos que de costume, Tiago Esteves e companhia foram mais do que competentes perante uma plateia bem composta e participativa.


E se "Elefantes Azuis" provocou a primeira reacção de quem assistia - tocada logo ao início, talvez para agarrar desde cedo o público - foram "Veludo" e sobretudo "Cascatas" a gerar o maior entusiasmo, num alinhamento claramente mais rock (bem ao jeito de festivais) onde não faltaram também "Cidade", "Desgoverno", "Quero que sejas minha" ou "Dás a Mão e Não Sentes". Escusado será dizer que o concerto, apesar de curto, foi bom, provando, se dúvidas houvesse, que a aposta da Antena 3 foi certeira. E nós esperamos vê-los no palco principal deste ou de outro festival muito em breve.

Concerto terminado, e lá fomos nós para o backstage. E que momento incrível! Claro que contámos com a presença do nosso padrinho Pedro Valente - o chefe, do Capitão Capitão, na pessoa de JP, e do Tiago Esteves, vocalista da banda. E aqui um à parte pessoal: mal podia acreditar que ali estava, com eles - todos, sem excepção - com total à vontade e descontracção. Um momento único que ficará para sempre gravado na nossa memória.

Com a chegada da restante companhia de férias, houve passagens fugazes pelos outros palcos. E aqui, diz que vou finalmente dizer menos bem de qualquer coisa, o concerto de Azelia Banks foi um aborrecimento. Para não dizer mau e sem sal. Acredito que a plateia masculina tenha sentido algum entusiasmo. (Aliás, comprovámos isso mesmo "in loco", a plateia masculina estava deliciada, e a divertir-se imenso, mais com as imagens que passavam nos ecrãs e com a própria indumentária de Azelia Banks do que com a másica, palavra da Chavininha). Mas musicalmente, foi fraquinho. Não gostei, achei que a menina Azelia não tem voz ao vivo e não consigo criar distanciamento suficiente para falar do espectáculo porque simplesmente não houve.

Aguardávamos com ansiedade o último concerto da noite, os Arctic Monkeys. E posso dizer que foi fabuloso. Muito melhor que em 2011 (quase em modo concerto de Coliseu em 2009, pelo menos no do Porto, garantiu-me a Chavininha). A postura, a empatia, o envolvimento com o público, a dinâmica da banda. Alex Turner está mais crescido, e isso nota-se em tudo. Visivelmente influenciado por Elvis Presley, do pente aos movimentos, Alex Turner seduziu o público do início ao fim com a sua simpatia e sobretudo com a sua voz envolvente. Matt Helders, o mestre da bateria, também não passou despercebido e desta vez, ao contrário do que acontecera em 2011, o baixo fez-se ouvir com muito mais intensidade.

Um alinhamento de sonho - ou quase, diria a Chavininha - que abriu logo com "Do I Wanna Know", que basicamente gerou o pânico - mas em bom. Foi um evento de uma vida. Para a maioria dos presentes, foram os temas do primeiro álbum - uma obra prima, dirão alguns - que mais mexeram com o público. Para nós, ou pelo menos para mim, foram os menos mediáticos - "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair", "Brick By Brick", "Pretty Visitors", "Do Me A Favour" - e claro que vibrámos como se não houvesse amanhã nos temas de "Suck It And See", e com "R U Mine" (para mim, uma das melhores de sempre dos AM).

E o encore? Incluíu "Mad Sounds" - a nova, que nós ainda não decidimos se gostamos ou não. não há consenso, a Chavininha não gosta, mas canta; eu canto e não sei se gosto. Mas também nos ofereceu uma interpretação fabulosa de "When The Sun Goes Down" e o encerramento com "505", que foi simplesmente mágico...

[Ora bem, que se isto é um post a duas mãos, eu aqui vou ter que dizer coisas, porque são os Arctic Monkeys. E porque apesar de só terem tocado 1 hora e qualquer coisa, e de o som ter estado algo precário, os Arctic Monkeys são, para mim, uma das bandas que mais me enche as medidas. Sim, o alinhamento foi quase de sonho, sim, Alex Turner está bem e recomenda-se. Aquilo que eu senti neste concerto não se vai conseguir transcrever nunca, porque para mim foi uma coisa demasiado intensa. Como se fosse dinamite a correr-me nas veias. Sem rebentar. E acabou com a melhor forma de acabar tudo. Um "505". 

De todas as coisas que eu poderia dizer sobre este concerto, nada se compara, nem se eu o soubesse fazer, ao que eu senti. Como eu disse na altura, nunca na vida nada me foi tão intenso e tão emotivo. 

Agora aguardo pelas datas novas dos concertos da tour dos senhores. Até porque mesmo que eles não venham a Portugal... Ainda me passo e vou vê-los a outro sítio qualquer.]

19 de Julho, dia 2.

Esperávamos mais uma grande noite, quase tão emotiva como a anterior. Não chegámos a tempo dos Black Rebel Motorcycle Club, mas não falhámos os Midnight Juggernauts, que nos fizeram companhia em grande estilo até ao concerto dos Kaiser Chiefs - esses velhos conhecidos. E mais uma vez, Ricky Wilson e companhia fizeram a festa na herdade. Animação do início ao fim, num registo best of, à semelhança do que tem acontecido nos restantes concertos que a banda dá por cá. E a malta adere, quanto mais não seja porque um concerto dos Kaiser Chiefs é sinónimo de diversão garantida!

E foi. Sobretudo com temas como "Everyday I Love You Less And Less", "Na Na Na Na Naa" ou "Modern Way", mas a maior explosão do público deu-se com a sequência final (vencedora, diria eu), com "Ruby", "I Predict A Riot", "The Angry Mob" - sempre actual - e "Oh My God" a fechar em grande um concerto espectacular, que até deu direito lá pelo meio a uma investida de Ricky Wilson à barraca da Super Bock para uma imperial!

Bem animados e em sentido para o concerto dos The Killers, esperava-se algo ainda melhor que o de 2009 no Restelo. E aqui, com total sinceridade, foi simplesmente arrebatador. Do primeiro ao último minuto, mesmo com as canções menos inspiradas do último álbum. O alinhamento foi também aqui de sonho, extremamente bem ponderado para prender o público desde o primeiro acorde. "Somebody Told Me" provocou a primeira de muitas explosões de entusiasmo; "Spaceman" fez-nos recordar o momento SBSR'09, "Shadowplay" quase que me levou às lágrimas - e pudemos sentir Brandon Flowers a dar tudo o que tinha numa interpretação irrepreensível do tema mítico dos Joy Division. E foi perceptível em todos os momentos a felicidade do vocalista, a entrega, a empatia e a simpatia, o sorriso encantador, o à-vontade.

"Miss Atomic Bomb", a canção das férias que cantámos a plenos pulmões, tal como "For Reasons Unknown", um tema que nos diz tanto. ou "All These Things That I've Done". A explosão de confettis, e mais tarde, o fogo de artifício deslumbraram. E o encore deixou-me sem palavras: "Jenny Was A Friend Of Mine", "When You Were Young" e a estrela da companhia "Mr. Brightside" a fechar a festa, a encerrar de forma arrepiante uma grande noite. Que nos deixou visivelmente sem voz. E que passou a ser sem dúvida um dos "meus" eventos de uma vida...

20 de Julho, dia 3.

Queríamos ter assistido ao concerto dos Asterisco Caveira Bomba Cardinal e dos We Are Scientists, mas não deu. Mas não chegámos tarde ao dos !!! (chk chk chk), que foi completamente bombástico.

Logo a abrir com "Even When The Water's Cold", o tema de abertura do novo "Thri!!er", o vocalista numa indumentária algo dúbia - uns dirão que estava de boxers, outros de calções de banho (a Chavininha acha que ele estava bem, e a divertir-se imenso) - e os seus movimentos irresistíveis e por vezes hilariantes em palco (e fora dele, que o senhor andou a dançar no meio do público, até chegou ao pé de nós!) foram a grande sensação da última noite do SBSR. "One Girl / One Boy" foi de loucos, tal como "Slyd" a fechar mesmo a tempo de apanharmos os Queens Of The Stone Age no palco principal com "No One Knows" - a música que queria ouvir, e provavelmente a única de que gosto mesmo.

Não ficámos por lá, dado que o som que emanava do palco SB não fazia muito o nosso género. Confesso que o da tenda também não, mas aguentámo-nos até ao DJ Set dos Digitalism, esse sim, muito aguardado também. E foi o máximo - e o momento em que se sentiu finalmente o pó no festival. quase duas horas com gente aos saltos e ao moche, remisturas brutais de temas bem conhecidos do público, uma forma perfeita de encerrar o "nosso" festival. sim, porque as nossas companhias masculinas terminaram a noite na tenda ao som de Carl Craig e Josh Winx.

A nós, esperáva-nos uma breve incursão pela praça da alimentação - com gente maluca e com os copos - e outra pelo parque de campismo, com mais gente maluca e com os copos, à procura do carro no meio de tantos outros. E sobrevivemos.

Dias passados sobre o SBSR'13, de novo as mesmas questões de sempre. Não tanto os problemas com o alinhamento, mas com a logística, que ainda deixa muito a desejar. E seria de esperar que as coisas já tivessem melhorado. É verdade que há autocarros para Lisboa e para o Porto no fim dos concertos. Mas para quem não está no parque de campismo, para quem está alojado nas vilas limítrofes, falharam os transportes alternativos, as "navettes" e os táxis.

Não basta ter bandas de renome e acesso a praias fantásticas. Era simpático pensarem que há quem não queira recorrer ao carro para se deslocar ao festival. E era ainda mais simpático que da próxima vez que anunciassem autocarros e afins para as zonas à volta, eles existissem mesmo, até porque isso faz com que as pessoas não queiram voltar... E também não nos pareceu nada bem, diz a Chavininha, que os senhores tenham restringido os comentários e coisas que tal na página do Facebook... Até porque depois o livro de reclamações a modos que aumenta de volume, não?

De qualquer forma, e porque o que nos move são os concertos, estes dias estão recheados de grandes momentos, inesquecíveis e que nos fazem lembrar - se isso for mesmo necessário - porque é que gostamos tanto de música.

E assim de repente, que tal uma excursão a um festival lá fora? ;)

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