Encaremos a brutalidade do regresso dos Datarock

Conheço os Datarock há muitos anos, desde que me lembro de ter ouvido “Fa Fa Fa” numa playlist qualquer, a canção me aguçou a curiosidade e se me fixou. Foi por isso com muita animação que soube que eles tinham voltado, e com a mesma animação que pus Face The Brutality a tocar (e que me acompanhou verão a fora). Animada também pude ver que, passados tantos anos eles ainda estão de boa saude e que continuam a fazer musica boa. 

Os Datarock sempre me foram marcados pela cadencia e pela urgência do som, que vem acompanhado pela voz de Fredrik Saroea, aquela voz mesmo muito marcante. Eles fazem musica para dançar, nem que seja de meias e pijama em casa nestes dias de outono que já tardavam em chegar. 


Face the Brutality é o terceiro album da banda Norueguesa, é um álbum divertido e alegre, de musica para mexer os pés, muito optimista sem que em momento algum se esquecer da brutalidade da realidade. 
O album começa com “BMX”, uma musica que começa por mimetizar o som das baterias de Prince em “Let’s Pretend We’re Maried”, e nos leva a uma viagem simpática pelos anos 80 em modo instrumental. 
“BMX”  tem também qualquer coisa da magia dos Daft Punk. A tal bateria inicial marca o inicio do álbum e deixa-nos antever tudo o que la vamos encontrar. E que ousadia boa fazer um instrumental para “abrir a pista”!!! Um instrumental que me faz pensar que sim, ainda são os Datarock, que a essência que me cativou ainda la está. E a bateria continua entretanto a marcar a musica até ao fim, com a mesma urgência com que surge no inicio, marcando as cadencias e as entradas dos sintetizadores que criam as varias camadas da musica. 


Outro dos destaques do album é, sem sombra de duvidas, “Ruffle Shuffle”: que acaba por resumir, de uma forma muito básica, tudo o que eu penso sobre ele. uma musica ritmada, marcada por rimas e coros dos que dão vontade de cantar e dançar. “Sense of Reason” (que me lembra os !!!) é mais do Rock, tendo uma entrada muito ao jeito dos clássicos doa anos 80. Não tem o ritmo pulsante de “Ruffle Shuffle”, mas é mais ligada às palavras, também reforçadas pelo coro. “…moving on is not forgeting your faults…”.

Não posso falar em Face The Brutality sem falar em “Everything”, uma canção mais animada e com mais sintetizadores e sem falar em “Invitation To Love” (que me lembra os Depeche Mode, sendo, provavelmente o culpado disto tudo o baixo). “A” balada que eu mais gostei de ouvir em todo o verão de 2018. Acho esta uma musica das mais bonitas do ano, com tudo o que eu gosto, intensidade, som e uma letra que, apesar dos deja-vus que me causa (e que acabam por provocar algumas gargalhadas) é suficientemente marcante e intencional. Ora se se fala de amor, parece-e ser o mais importante isso da intenção e a realidade das palavras.

Face The Brutality é um álbum cheio de camadas e com diferentes sons, como se os Datarock estivessem a explorar novas pistas e quisessem sair do registo habitual que eu lhes associo. Se pensarmos no titulo, a mim pelo menos isto faz me muito sentido. Não posso dizer que seja um álbum perfeito, mas, a realidade também não o é, e, se a arte imita a vida, parece-me que é, no mínimo, bastante coerente. 
Face The Brutality é um álbum que se ouve bem, que causa arrepios às vezes e que não deixa as pessoas indiferentes. Os Datarock evoluíram bastante desde “Fa Fa Fa”, mas a sua essência continua lá: a bateria+a linha de baixo+a voz de Fredrik Saroea . A mim parece me que se a formula base resulta não se deve mexer nela. Portanto a única coisa que eu tenho a dizer é obrigada Datarock, e se puderem, venham cá fazer uma visita que a malta agradece.



“… everything is going to be allright, nothing will change unless we talk about it…” em Everything.

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