O lado melancólico dos Black Keys

Gosto dos Black Keys, do lado mais genuíno e duro e agressivo e masculino - ou musculado - do rock. Dos primeiros álbuns, do "Brother" e do "El Camino".
"Turn Blue" é o oitavo disco da banda, e não sei bem como reagir. Ou melhor sei, e se calhar não quero admitir.
Mais um ponto para a cena do experimentalismo.
Mais uma banda que deixa de lado o espírito mais rock, e que dá asas à criatividade - infelizmente, para mim, nem sempre em bom.




Os Black Keys estão mais melancólicos, logo mais soft. 
É isso que me vem à cabeça quando escuto "Turn Blue" - repetidamente a ver se o som me conquista.
Parece que ultimamente todos os discos me soam mais ligeirinhos do que o habitual. Como se, entre um disco e outro, as bandas tivessem perdido a força, a garra, a energia.

Lembro-me de estar a ouvir o disco há uns dias e ter pensado «já ouvi metade e ainda nenhuma canção me prendeu...». O que é chato, porque provavelmente o álbum vai passar despercebido por entre a (extensa) discografia cá de casa.



Não vou dizer que as canções são más, porque não são. Não me soa chato nem aborrecido, como o último dos Coldplay. Mas também não me entusiasma (à semelhança do que aconteceu com o novo dos Kaiser Chiefs).
A essência está lá. Se retirarmos as camadas, encontramos o estilo, o som, a bateria potente de Patrick Carney, os riffs de guitarra impressionantes e a voz característica de Dan Auerbach. Mas a pujança que lhes conhecemos de discos anteriores, ficou pelo caminho (ou então está guardada para os concertos - esperemos que sim...).

Ainda assim, "Turn Blue", o tema título, tem acordes que me despertam a curiosidade, provavelmente porque me fazem lembrar a sonoridade de "Brother" e de "El Camino".
"Fever", que foi também a primeira amostra, é assumidamente catchy. E como tal, não ficamos indiferentes à melodia, ao refrão. É brilhante enquanto single, porque chega a praticamente toda a gente, mas, sejamos honestos, não é assim uma grande canção.



Cheguei a "It's Up To You Now" - a sétima canção - e pensei «gosto disto». Não é tão melódica, é mais agressiva que todas as outras. Tem um solo de guitarra que me animou e me fez viajar até ao ambiente daqueles filmes americanos de cowboys.

E a fechar, "Gotta Get Away", outro dos temas que se destaca no meio de tanta melancolia. É roqueira como eu gosto de os ouvir. Plain old pure rock & roll. Felizmente para mim, parece que eles ainda conseguem criar canções à moda antiga.



Os Black Keys serão sempre os Black Keys, porque o seu trabalho é característico e a voz de Dan Auerbach é única. Tinha grandes expectativas para o novo trabalho e confesso que ainda estou à espera de ser conquistada pelo novo som.
Foi-se o registo mais cru, ficam as melodias. A ver vamos, como as canções de "Turn Blue" resultarão no palco do Optimus Alive.


«I went from San Berdoo to Kalamazoo
Just to get away from you»
(The Black Keys, em "Gotta Get Away")

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