Corrida ao Mercury Prize 2018: o inconformismo de Nadine Shah

Hoje, falamos de Nadine Shah, cantautora britânica, que não conhecíamos. "Holiday Destination" é o seu terceiro disco.

A primeira coisa que nos «salta aos ouvidos» ao escutarmos "Place Like This", o primeiro tema, é a voz. Daquelas que eu gosto. Diferentes, únicas, com um jeito vintage, usado, gasto, mas com sentimento e muita força. Já em "Holiday Destination", que, em tom irónico, aborda o tema dos refugiados, é a melodia dramática que nos prende. E que nos faz prestar atenção à mensagem...


«how you gonna sleep tonight»

"2016" é o tema que se segue, e refere-se a um ano difícil para toda a gente, do Brexit a Trump, ao desaparecimento de tantas referências culturais... Tem um ritmo contagiante, e vamos percebendo que a orquestração, o ritmo estão perfeitamente alinhados com a mensagem de cada canção.


A sonoridade aguerrida, irreverente, tensa, até violenta (sobretudo nas letras) demonstra raiva, rebeldia, inconformismo, como se de uma wake up call se tratasse. Afinal, os problemas do mundo são nossos também.
Mesmo quando o ritmo baixa, a voz de Nadine Shah ganha outra sensibilidade, sem perder intensidade. Ouçam por exemplo, "Yes Men".


Ou "Evil", que, pelo seu lado, é um tema que cola, tal a cadência do ritmo e a colocação da voz, uma aura mais dark que lhe assenta tão bem, transversal ao disco, reflectindo o estado do mundo nos dias de hoje - mais uma vez, muitas referências à situação atual, dado que a moça é filha de pai paquistanês.


"Holiday Destination", o disco, foi uma boa surpresa nesta lista. confesso que também não tinha muitas expectativas, mas a voz de Nadine Shah conquistou-me. e quanto mais não seja pela questão política e a forma como é abordada, o disco merece ser escutado. As melodias e as letras deixam-nos desconfortáveis, e esse é para mim, também um dos papéis da Música.

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