Coisas sobre o último «rendez-vous» com os Black Lips

Ontem era um sábado à noite de fim de Outubro, que podia ser igual a qualquer outro. Até porque, como se sabe, costumam estar 25 graus no Porto nesta altura, não são precisos casacos nem galochas e praticamente isto se transformou num clima tropical. E, mais importante, em que se podia ter ficado em casa. Era, afinal de contas o fim de semana antes do Halloween, coisa para a qual eu não tenho o mínimo de saco.
Só que não.

Soube-se há algum tempo que a tour dos Black Lips, a de "Satan's Graffitti or God's Art" começaria em Portugal, no Musicbox em Lisboa (aconteceu sexta-feira), e que passaria, como de costume, pelo Porto. Mais, soube-se que iria ser num dos meus sítios preferidos para estas coisas, os Maus Hábitos. Que são a melhor casa possível para um espectáculo destes: 200 pessoas, som meio roufenho, palco que não é mais do que um quase estrado de madeira ligeiramente mais alto e aquele ambiente que me lembra sempre o de um clube underground, ainda que seja num quarto andar.

Se isto não eram razões de maior para ir, não sei mais o que seria. Ah, pois, "a" razão: eram os Black Lips, convém dizer sempre isto.

Os americanos que me lembraram em 2012 no Primavera Sound o que era a verdadeira essência do Rock n' Roll, sem tretas. E que me continuaram a fazer acreditar nisso em Paredes de Coura em 2012. E que têm "" 8 álbuns editados e a mania de quem não tem nenhum. E que, claramente fazem isto pelo Rock. Como devia mesmo ser.

Do concerto? 
Podia dizer que estava um forno, que aquilo mais parecia um inferno de calor, que o fumo e o suor das pessoas, misturado com as cervejas e afins tornou tudo mais "acolhedor". Que ao fim de metade da primeira música já havia crowdsurf e um moshezinho simpático e básico, e que foi tudo assim mesmo tão bom que cheguei (acho que chegámos todos) ao fim com a sensação de barriga cheia. 

Os Black Lips (e o seu show despretensioso, com direito a rolos de papel a voar, muitíssimo bem executado e sempre com aquele ar amistoso de "vamos lá dançar e fazer uma festa", do alto do bigode trucker de Jared Swilley, do cabelo de Gremlin de Cole Alexander e do Afro de Oakley Munson), trazem sempre isto. Música que faz com que queiramos dançar, a tal música do diabo que nos faz querer abanar toda e qualquer parte do esqueleto.

A setlist andou ali sempre entre os clássicos e as músicas novas, e as guitarras e as vozes de Cole Alexander, Jared Swilley e Jack Hines estiveram em perfeita harmonia com a genial bateria de Oakley Munson (e o seu cabelo afro) e só foi pena que o saxofone de Zumi Rosow não se tenha ouvido quase nunca. 

Continuo a dizer que há coisas que deviam ser obrigatórias, e ver os Black Lips, para quem gosta de rock n' roll a sério, devia ser uma delas.
Acho que faz bem à alma. Sei lá eu bem. 

Para acabar a dissertação, deixo um resumo disto tudo, que a Ni, que esteve comigo em mais este momento, escreveu ontem, num comentário no meu facebook, e que resume tudo na perfeição: "Os Maus Hábitos têm a particularidade de nos fazer sentir quase parte da banda! Saldo: positivo! Boa companhia, ambiente tranquilo, "pouco" mosh e "algum" crowdsurfing. Os senhores cumpriram mas soube a pouco. Pena o som não poder ser melhor, mas mesmo assim, foi top, especialmente se comparado com coisas que ouvi no Primavera Sound e em Paredes de Coura. Top! E viva o Rock!

Eu só posso acrescentar: viva. E vivam os Black Lips!

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