Denis (Filipe), a nova voz do rock português?

Hoje deu-me para a música feita em Portugal. Neste caso, para Denis (Filipe), que descobri numa visita relâmpago à Fnac há uns dias. O cd encontrava-se em destaque na prateleira e o nome do álbum "Twist And Bend" chamou-me a atenção. Isso e o selo da Antena 3.

Não resisti, e pus o disco em escuta. Pouco tempo depois já estava a abanar o capacete. 30 segundos de cada tema foi mais do que suficiente para me deixar curiosa e com vontade de ouvir mais. E para perceber que o rapaz tem talento, e que soa a rock antigo. ou vintage, como preferirem.





Mas quem é o Denis? Diz que foi o vencedor d'A Voz de Portugal, teve como mentor o Rui Reininho, é músico desde pequenino. Escreveu todos os temas do disco e gravou grande parte dos instrumentos - em jeito de one man band, portanto. E se fosse necessário (mais) algum selo de qualidade, a produção do álbum esteve a cargo de Armando Teixeira (responsável por vários projectos nacionais, entre os quais, Balla).

"Twist And Bend" é composto por canções com cheiro a blues, um bocadinho de jazz, e muito de anos de ouro do rock - aquele dos anos 50, 60 e afins. Talvez por isso não seja difícil perceber as influências de Elvis, dos Doors, dos Rolling Stones e The Who e eu acredito que também dos Black Keys - porque "Just Go Home", "Livin A Lie" e "The Same New Song" fazem-me lembrar e muito os seus acordes típicos.





Mas há também algum groove - em "Say My Name" ou em "Coz I Luv You", por exemplo. "Twist And Bend // Go Baby Go // I Want It So Bad" são os momentos mais roqueiros - aquele dos anos 80 e que, a espaços, nos remetem para o jazz"It's Killing Me", que é também o single de apresentação, é viciante o suficiente para se tornar num guilty pleasureE o contraste no disco acontece com "Never Knew // I Got You". Mais calmas, puxam um bocadinho ao blues e ganham subtileza com os violinos e o piano.

Confesso no entanto que não fiquei grande fã de "Compasso", o único tema em português. a voz, que em todos os outros temas tem sensualidade, envolvência e força, soa diferente, sem grande chama, e tem muito menos de rock do que os restantes. Aliás, arrisco dizer que soa a mais do mesmo da "eterna" música ligeira nacional... Será por isso o lado menos bom de um disco simpático e que demonstra o potencial de Denis.

E que não defrauda as esperanças e a essência do rock português.

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