Os Rubis Vermelhos dos Love Language.

"Ruby Red" é o novo álbum dos The Love Language. Ponto. Estava aqui a pensar em como começar a falar sobre isto, ou de onde é que isto veio, mas se calhar o melhor é dizer a verdade: o que me atraiu "à Priori" neste álbum foi o magnifico trabalho gráfico da capa (coisa que me acontece muitas vezes, eu confesso, especialmente quando são bandas de que eu nunca ouvi falar). Claro que, depois disso, se o "interior", ou seja, a musica que vem la dentro, não corresponder às expectativas criadas pela capa, nem tem direito a ser mencionado, mas esse aqui não é claramente o caso.


"Ruby Red", este segundo álbum da banda americana The Love Language, é claramente um álbum "low-fi" (e eu sei que a Concertina nem é grande fã desta conotação, ou melhor deste "estilo"), é um facto, mas que tem o seu encanto muito peculiar e que fala por si só, ou seja, que nem merecia rótulos, ou pertenças a nenhum "sitio" em especial.

Se em "Calm Down", o primeiro single do álbum, estamos perante um rock dominado pela bateria, que nos entra nos ouvidos por causa da voz algo cavernosa e ao mesmo suave de Stuart McLamb, e que nos faz lembrar por vezes o rock dos anos 80 dos New Order ou dos Joy Division, sem nunca perder a conotação mais indie, "Kids", por outro lado, ainda que mantendo as melodias, ou melhor, o melodioso, aqui de uma forma mais densa,não consigo não fazer referencias aos Raveonettes.



Em "Hi-Life", por outro lado, aparece-nos um rock mais melodioso, mais sinfónico, que nos leva quase a um filme dos anos 60, arrisco até a dizer que algures parece que estamos perante as musicas que nos anunciavam o começo das series ou dos filmes dessa altura, com a particularidade de haver crescendos, que confesso, me fazem automaticamente lembrar que a banda é americana, logo dada a concertos de estádio com "multidões" de braços no ar.
De regresso às distorções de guitarra, "First Shot" aparece-nos carregada de riffs de guitarra, marcados e afinadinhos, e com o coro a marcar, de novo, os refrães. Os solos de guitarra lembram me, um pouco, o grunge das Breeders, acompanhados de sopros e teclas e, tal como em "Hi-Life" com um cheirinho a anos 60.



Em "Golden Age" as teclas tem um papel crucial, tal como em todo o trabalho da banda a bem dizer da verdade, e outra das características que para mim melhor definem os The Love Language é a voz do seu mentor, Stuart McLamb, magoada e profunda, que acompanha as letras introspectivas. O que, juntamente com os coros, dá à banda um som "cosy" e urbano ao mesmo tempo.
"For Izzy" aparece, então, num registo mais intimista e um nada mais ao estilo country-pop, como se tivesse vindo de um universo de sons mais calmos que nos embalam, ou melhor, quem nos embala de facto é Stuart McLamb, mas não de forma triste, agora de forma alegre, ou, se calhar, esperançosa, o que contrapõe este Ruby Red ao primeiro registo da banda. Isto acontece também em "Faith Breacker", ainda que aqui de forma rock, com pandeiretas e coisas que tal, ainda que eu não o consiga descolar de algumas influencias grunge, as que eu já referi em cima. Tudo por causa das letras, que não são propriamente alegres e descomprometidas, o que torna tudo um pouco complexo.



Para o fim, deixei as minhas preferidas. Começo então por falar em "On Our Heels", um som mais anos 80, com sintetizadores e violinos, sendo que, os ritmos criados pelos violinos desfazem as distorções das guitarras e criam um som diferente do que se ouve em Ruby Red.
Para mim, a melhor letra de é a de "Knots". Aqui temos o "desamor" no seu melhor, com uma melodia suave, guitarras acústicas e violinos, que  a meio da musica se transformam em guitarras, e numa bateria que tenta ser mais calma. Ao mesmo tempo "Knots" traz-nos também o tal som que lembra os anos 60, e que bem que me sabe.
Acaba (e eu acabo também) com "Pilot Light", num registo muito mais calmo, mais final. "Pilot Light" é umma musica daquelas que a mim me lembra finais, o próprio fim das coisas, o acabar de tudo, como o faz o "505" dos Arctic Monkeys ou o "New York I Love You, But You're Bringing Me Down" dos LCD Soundsystem. Uma musica com uma grande carga dramática, especialmente concedida pela voz de Stuart McLamb, e que apesar de não ser genial nos serve de fio condutor, juntamente com os violinos, os coros e a bateria tímida, porém eficaz, e nos conduzem a um final que é, no mínimo, épico.


É este final de "Ruby Red" que me faz querer recomeçar a ouvi-lo, como se o resto fosse só a passagem para chegar aqui, Tudo bem que uma boa passagem, eu assumo, mas uma passagem.

"If we go crasy then we'll just blame it on the moon", em "Calm Dow".


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