Kaiser Chiefs: longe do indie, perto das massas

É sabido que por aqui gostamos do Ricky Wilson, frontman dos Kaiser Chiefs. Quer seja apenas um personagem, ou nem por isso, a verdade é que o moço é um entertainer. E os concertos são sempre uma animação (mesmo que as canções mais recentes não sejam grande coisa).

Sejamos sinceros, o primeiro disco "Employment" (2006) é que é. Dos outros, quase não me lembro, à excepção de um ou outro single. E, após escutar "Education, Education, Education & War", o quinto registo, não acredito que seja um regresso aos discos de jeito. Entre momentos de despedida - perderam um dos seus membros fundadores, ainda por cima era o que escrevia as canções - e de renovação, já não me parecem tão enérgicos.


A abertura faz-se ao som de "The Factory Gates", um registo perfeito para a classe operária, com guitarras e bateria, e dou por mim a pensar que afinal não estão assim tão mal, o (punk) rock que lhes conhecemos continua presente.

Logo de seguida, o "pé atrás" com "Coming Home", em modo "saudosista", calmo. Não é má, diria antes que é simpática, melódica. Falta-lhe energia, gás. MAS é a prova que o moço canta. (e isso é sempre bom, não?)


"Misery Company" é mais a minha onda. Aliás, colou quase de imediato. Tem aquilo que eu gosto nos Kaiser Chiefs de antigamente. A batida, o ritmo, a bridge, os riffs de guitarra à anos 80, e os risos maléficos são preciosos.


"Ruffians On Parade" e "One More Last Song" recuperam o enfoque no rock. Se a bateria é dona e senhora da primeira - nem mais nem menos. tal e qual como se estivéssemos numa marcha -, na segunda divide o espaço com as guitarras e o imponente baixo.

Pelo meio, o refrão bonito de "Meanwhile Up In Heaven", que dá início aos momentos «sing-along» que Ricky Wilson tanto gosta nos concertos. "My Life" é a que me soa com maior potencial: ao ouvi-la, imagino logo o público a entoar entusiasticamente e fervorosamente «this is my life». Tal como "Bows & Arrows", uma das primeiras amostras, que também tem um refrão apelativo para as massas.


"Cannons" é o hino de «revolução», o manifesto social do disco (não há dúvidas. no fim, um relato falado de inúmeros eventos políticos e afins...). A canção é a mais agressiva musicalmente, mais hard rock. E não é difícil imaginarmos um momento "estádio", braços no ar, vozes afinadas, desta vez mais interventivas.

E se até aqui, os Kaiser Chiefs nos "massacraram" com o tom de marcha, "Roses" é o oposto. Com uma melodia ao nível de "Coming Home", e, mais uma vez, a voz de Ricky Wilson num registo pouco habitual, é, para mim, um fecho simpático para o disco.


Enquanto escuto "Education, Education, Education & War", «simpatia» é talvez a palavra que mais ressoa. Os Kaiser Chiefs estão de facto menos enérgicos, longe do registo indie dos primeiros tempos. Estão mais agradáveis aos ouvidos do "público em geral" - talvez por isso, Ricky Wilson tenha sido convidado para jurado no "The Voice UK". O que infelizmente também significa que o disco é só mais um no meio de muitos.

A ver vamos o que o futuro lhes reserva.

«you and me on the front line // you and me every time // it's always you and me, we're bows & arrows»
Kaiser Chiefs, em "Bows & Arrows

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