Viagem às Músicas do Mundo: "Mati", Selma Uamusse

Ao ouvirmos "Mati", percebemos que Selma Uamusse já não é (só) uma das vozes dos Wray Gunn, ou Nina Simone reinventada. Selma abraça (também) as suas origens, sem medo, e leva-nos numa viagem sonora por Moçambique - sobre o qual, musicalmente, sabemos muito pouco.

A voz de Selma, que eu sempre admirei, continua forte, intensa, guerreira, e não perde nada, mesmo nada, neste novo registo. Antes, parece-me que ganha, tal é a sua versatilidade. Ao longo de "Mati", é delicada e doce, é serena, é interventiva, e é, acima de tudo, livre.



"Mati", a canção, foi o single de apresentação e faz isso mesmo. É o tema perfeito para nos dar a conhecer a "nova" Selma e o seu disco, misturando o tradicional com o moderno, mostrando as influências de Selma e criando um perfeito equilíbrio entre os sons africanos, a electrónica, o soul, e o gospel. Não esquece o jazz, em "Monica", intensa e reconfortante q.b.

 

"Funkier than a Mosquito's Tweeter", recuperando Nina Simone e puxando pelo lado Wray Gunn, traz-nos o cheirinho de gospel e R&B. "Malian" aparece em registo spoken word, qual canção de intervenção e a electrónica tribal de "Mozambique" obriga a mexer o esqueleto.


E "Hope" - para mim, a palavra chave de todo o disco - poderia ter saído de um disco de Rodrigo Leão, mostrando o lado mais «clássico» de Selma Uamusse.

"Mati" é multi-cultural nos sons e na língua. Canta-se em português, em inglês e em dialectos moçambicanos e, dessa forma, espelha-se a universalidade da música. Podemos não entender a letra mas compreendemos as emoções, as energias. E sentimos a musicalidade, a aura de cada canção.
E neste disco, há boas energias, há serenidade, há esperança.

"Mati", o disco, é música para o corpo, mas sobretudo, para a alma.

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