Howling Bells de regresso com "Chimera" e "Melbourne"
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| Créditos: Orlando Cubitt |
Neste fim de tarde, o destaque vai para os Howling Bells, sobre quem já falei aqui, e dois dos seus novos singles, "Chimera" e "Melbourne", que antecipam o álbum "Strange Life", que sairá no próximo dia 13 de fevereiro.
As duas canções oferecem-nos um ambiente sonhador e melódico, mas têm, nas suas entrelinhas, sensações distintas.
"Chimera" surge como um sinal claro de que o regresso com aos discos não é apenas nostálgico, mas profundamente consciente. A canção move-se num território delicado entre desejo e aceitação, refletindo essa relação tantas vezes ambígua com a música e com o próprio percurso artístico. Encontramos-lhe uma sensação de esperança tranquila, de aprender a deixar-se ir e a encontrar sentido no próprio caminho, mesmo quando o destino parece difuso ou inalcançável.
A canção envolve-nos com a sua escrita cuidada e uma interpretação vocal calorosa, suave mas segura, que se entranha com naturalidade na instrumentação. As harmonias confortam, os arranjos vibram e tudo contribui para uma melancolia serena, mais contemplativa do que pesada, que convida à escuta atenta.
Já "Melbourne" carrega um peso emocional diferente, mais cru e profundamente pessoal. É uma canção sobre pertença, ausência e luto, atravessada por uma saudade que não encontra lugar fixo.
O tema capta essa dor silenciosa de quem parte, constrói outra vida e, ainda assim, continua a sentir o chamamento de casa, sobretudo quando a memória se mistura com a perda. Musicalmente, mantém-se quente e etérea, com uma entrega vocal comovente e uma instrumentação que abraça sem sufocar. É agridoce, bela na sua tristeza, e deixa uma marca duradoura.
Juntas, "Chimera" e "Melbourne" mostram duas faces complementares dos Howling Bells: a da esperança e a da saudade. E são um aperitivo muito apetecível enquanto o disco não chega, sendo perfeitas para nos fazer companhia quando precisamos de momentos a sós.

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