"Death of Love", o regresso arrebatador de James Blake


Saiu há dias e não podia deixar de a partilhar aqui.

"Death of Love" marca o regresso de James Blake (sobre quem já falei aqui) às canções e aos discos ("Trying Times" sai no próximo dia 13 de março). É uma canção profundamente familiar e, ao mesmo tempo, deveras inquietante.

E é absolutamente arrebatadora.


Há uma delicadeza quase suspensa na forma como a canção se apresenta, como se estivesse sempre à beira de se desfazer, mas é precisamente aí que reside a sua força. A voz surge num registo frágil e contido, a guiar-nos por um território emocional onde amor, perda e lucidez coexistem sem dramatismo excessivo.

A produção é contida mas envolvente, construída em camadas subtis que dão espaço ao silêncio. Tudo soa pensado, mas, também muito orgânico, desde os sintetizadores, o peso grave que se insinua, as harmonias que surgem como ecos internos. É uma música que pede escuta atenta, que cresce devagar e se instala sem pressa.

James Blake continua a fazer aquilo que melhor sabe e que me deixa sempre rendida: transformar vulnerabilidade em linguagem sonora, criando canções que não se explicam, sentem-se. E talvez seja por isso que continua a ser um nome tão essencial para quem, como eu, procura emoção genuína na música.

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