Disco do Dia: "NU", First Breath After Coma


É a primeira vez que falamos dos First Breath After Coma. Não por não gostar do som, mas porque, de facto, no meio de tanta coisa que nos chega, fui sempre adiando.

Até ter posto os ouvidos em "NU", o terceiro disco da banda de Leiria.

À primeira escuta, ouvi influências de Bon Iver (consta que há mais) mas as canções de "NU" levaram-me, a espaços, ao universo de James Vincent McMorrow. Talvez por se tratarem de canções melódicas e melancólicas, pela voz que nos chega por vezes em falsetto, ou por se tratar de um álbum pessoal e íntimo, sobre medos, angústias, paixões.

"The Upsetters" é o primeiro capítulo, uma canção onde, para mim, se destacam as teclas, os beats, e sobretudo a forma como a canção cresce e nos envolve. Ao minuto 2:25, sou surpreendida pelos sintetizadores, a soar de forma incrível e a acompanhar a parte vocal, tornando o momento ainda mais intenso.


Em "Please Don't Leave", encontro as tais influências de Bon Iver, nas vozes - com o uso do vocoder - e no registo musical. A melodia é de um ritmo contagiante, a bateria e a linha de guitarra são qualquer coisa de extraordinário. É música que toca a alma.


"Change" chegou e colou de imediato. Pelo ritmo, pelo refrão, mas foi a melodia que chamou logo a atenção dos meus ouvidos. Aqui, são os sintetizadores e a bateria, a darem (ainda mais) cor à canção, num ambiente de tamanha energia e intensidade que é impossível ficarmos quietos.
O mesmo aconteceu com "Feathers and Wax", canção que aquece a alma quando não sabemos bem como estamos. Rendi-me à parte final mais em modo rock, explosiva e intensa, ao refrão, com o sintetizador mais grave, à cadência da bateria tão perfeita.


Pelo meio, "Howling For A Chance" vai envolvendo-nos aos poucos, um beat mais jazzístico, um contrabaixo a fazer das suas e a prender-me a atenção. E, pouco depois do minuto 2', a intensidade aumenta com o instrumental «dramático». Em "Uneasy", é a delicadeza das teclas que se destaca, o que para mim é sempre motivo de alegria. Novamente a melodia a abraçar-nos, novamente um apontamento «dramático», e mais para o fim, um registo quase em modo «mantra», quando escutamos as palavras «don't give up now»


"Heavy" é outra que não me deixa indiferente. Assim que a ouvi, pensei logo como seria ouvi-la com uma orquestra ao vivo. Estranhei a voz distorcida, como sempre, mas aqui até faz todo o sentido. Fiquei colada no contraste, na forma como a canção varia irrepreensivelmente entre o íntimo e o explosivo. É um dos momentos altos do disco, para mim, não só pelo registo mais upbeat, mas por aquele fim em suspenso que me deixou sem chão...


O último capítulo chega com "I Don't Want Nobody" que é para mim o momento mais introspectivo do disco. Vocalmente, soa a uma espécie de coro angelical, como uma voz interior que nos diz repetidamente «everybody needs a little sunshine». Adoro a forma como a melodia parece simples e vai crescendo a cada minuto. E aquela parte final, qual momento de reflexão interior, é pura tranquilidade.

"NU" é um álbum despido de artifícios, emotivo, que, tal como a sua premissa, (só) faz sentido ouvindo de seguida. É coeso, intenso, com momentos apaixonantes e cativantes que tanto nos acompanha em fins de tarde solarengos como em dias cinzentos.
No meio caso, redescobri-o num dia de chuva sombrio, e foi como um raio de sol.
Voltarei a ele sempre que precisar de um disco com canções que preencham a alma.

nota final: Consta que das palavras e da música nasceu a imagem. E por isso, "NU" é um álbum visual, que pode ser visto aqui. Exploram-se diversos conceitos da natureza humana em oito canções que se traduzem em oito palavras (ou vice-versa): fragility, fondness, empowerment, attraction, wreckage, helplessness, anguish, maze. Cada vídeo é um capítulo de uma história de vida complexa, intensa e apaixonante. E cada canção ganha ainda mais força e energia enquanto parte integrante dessa história.

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