Disco do Dia: "I Am Easy To Find", The National

Ao oitavo disco, os The National continuam iguais a si próprios. Bom, não tão iguais se gostarmos mais deles na versão "Boxer" e "Alligator". Mas neste "I Am Easy To Find" não se desviaram muito do caminho percorrido e do som atingido nos últimos anos. Para mim, que até gosto deste lado mais melódico, mais orquestral, não deixa de ser reconfortante.

Matt Berninger fez-se acompanhar por vozes femininas (muitas delas saídas do colectivo 37d03d de Aaron Dessner e Justin Vernon), e é um facto que os meus ouvidos estranharam tantas colaborações - confesso que por vezes, mais parecia uma colectânea de canções do que propriamente um álbum em nome próprio.

Custou-me assimilar este novo trabalho. É longo e tem interlúdios que só fazem sentido com o filme de Mike Mills. E às vezes, soa a mais do mesmo. Mas algumas canções tornaram-se incontornáveis no meu alinhamento. Como "You Had Your Soul With You", que poderia ter saído de "Sleep Well Beast", e que me conquistou sobretudo na parte final. O ritmo desacelera e ouve-se uma espécie de lamento na voz de Gail Ann Dorsey tão bonito e tão triste ao mesmo tempo.

«you have no idea how hard i died when you left»


"Quiet Light" encanta-me sempre com aquele refrão tão delicioso, o piano de "Oblivions" é arrebatador, tal como a forma como a canção vai fluindo graças à dinâmica entre as vozes de Berninger e de Mina Tindle. "Hey Rosey" tem uma força incrível e avassaladora, e "Rylan" é energia pura, com a sua batida pulsante em fundo e uns deliciosos e luminosos violinos a partir do minuto 2'.


Só isto seria suficiente para me deixar feliz com a saída do álbum. Mas não podia deixar "Light Years" de fora. Foi amor à primeira escuta. O piano, sempre o piano, esse instrumento que me aquece o coração. Aqui, a melodia é tão bonita que arrepia. E nem sei bem como traduzir em palavras o quanto me emociono de cada vez que ouço esta música...


"I Am Easy To Find" é um disco de canções vulneráveis, poéticas, humanas. É forte e frágil, intenso e dramático, esperançoso e luminoso. É um disco (mais) adulto, com diferentes ritmos e tempos e que, graças à orquestração incrível de Bryce Dessner, nos transmite emoções com que facilmente nos identificamos.
Talvez por ter assistido ao evento screening & listening do disco, encarei-o logo como uma banda sonora, e não tanto como um disco per se. E nesse sentido, não poderia haver melhor acompanhamento para a nossa vida.

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